Ver para crer
Maio 15, 2008
A visão cinematográfica e adaptação de Fernando Meirelles, realizador de Cidade de Deus e O Fiel Jardineiro, ao cinema da obra literária O Ensaio Sobre a Cegueira da autoria de José Saramago arrancou as hostilidades da edição do Festival de Cinema de Cannes deste ano, uma recepção algo fria e catastrófica ao que se lê, o filme baseado no romance do Nobel Português é protagonizado por Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover e Gabriel Garcia Bernal, a estreia da edição deste ano do festival de Cannes, que contou com a presença do realizador mas não de Saramago, faz-se assim com um filme que também vai a competição, os desejo dos responsáveis em exibir Blindness, título original da película, era tal que acabou por se abrir uma excepção visto que por norma o filme de abertura não entra em competição.
A obra de José Saramago de 1995 retrata uma cidade apoderada por uma inexplicável epidemia de cegueira, onde uma mulher imune é encarregue de guiar um grupo através do caos de uma sociedade em que o ser humano está condenado à violência, ao totalitarismo e ao desaparecimento, uma obra sombria onde a cegueira é branca e as personagens não têm nome, estes detalhes que resultam bem em literatura obrigaram Meirelles, arquitecto de formação e cineasta rendido, a passar por um processo complexo repleto de atribulações, dúvidas e várias versões até atingir o resultado pretendido. O próprio cineasta descreve a obra como sendo um filme opressivamente luminoso e que adivinha tapar a tela com um véu branco tal e qual a cegueira pintada a branco no livro de Saramago, a obra cinematográfica chega às salas de cinema em Setembro, até lá…
A clareza da cegueira é tão sublime… que merece ser razão.
Sofia
